Somos o grito daquelas cuja voz foi silenciada!

 Somos o grito daquelas cuja voz foi silenciada!

Embora tenham sido realizados progressos nas últimas décadas na UE, a violência e os estereótipos baseados no género continuam a existir. As mulheres continuam a ser vítimas de violência física e/ou sexual, a ganhar cerca de 16% menos que os homens e representam uma baixa percentagem (8%) dos cargos de presidente executivo de grandes empresas.

Em Portugal, as mulheres são mais escolarizadas que os homens; concluem mais frequentemente o ensino superior, mas continuam a ser sub-representadas em cargos de chefia; a ser mais sobrecarregadas com tarefas domésticas não remuneradas e a receber menos que os homens.

Os direitos das mulheres são permanentemente negligenciados, ameaçados e muitas vezes recuam. Os números da violência baseada no género, incluindo a doméstica e sexual, estão a aumentar.

A falta de independência financeira e a incerteza quanto ao futuro é frequentemente limitadora da liberdade das mulheres, porque reduz as escolhas, a realização individual e a capacidade de libertação de situações de opressão, seja doméstica, seja laboral.

O sexismo, a misoginia, os preconceitos culturais de papéis e socialização de género continuam a ser evidentes no nosso país e continuam a gerar casos de violação e feminicídio.

A violência sexual não escolhe idade ou condição social e na maioria dos casos quem viola, quem abusa, é do círculo familiar e de conhecimento da vítima.

A autonomia das decisões sobre o corpo feminino é um direito que não pode continuar a ser questionado e negado por agentes e políticas patriarcais que atentam contra os direitos fundamentais de meninas e mulheres em Portugal e no mundo.

A vontade de pisar a igualdade de género, de negar as mesmas oportunidades a todas as pessoas, é hoje mais forte com os discursos discriminatórios e crimes xenófobos e homofóbicos, antidireitos das mulheres.

Lembramos que não há desenvolvimento sustentável sem igualdade de género. A igualdade entre mulheres e homens é um princípio fundamental da Constituição da República Portuguesa – no Artigo 13.º -, sendo tarefa fundamental do Estado a sua promoção.

No dia de hoje, 25 de novembro, a propósito do Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres, lembramos estes números e como eles nos mostram ser preciso ir ainda mais longe. Mostra ser necessário o reforço de iniciativas para prevenir, apoiar, proteger as vítimas e punir e reabilitar os perpetradores desses atos criminosos.

Mostram ser necessários mais apoios para organizações não governamentais e feministas para desenvolverem ações neste campo, mais ações de sensibilização, mais esforços no sentido de garantir uma vida livre de todas as formas de violência, medo e opressão que continuam a afetar uma parte considerável da população portuguesa.

Reivindicamos, por isso:

•Integração da perspetiva de género e promoção de uma perspetiva interseccional nas políticas nacionais;

•A garantia da participação plena e efetiva das mulheres e a igualdade de oportunidades de liderança;

•A eliminação de todas as formas de violência contra todas as mulheres e meninas nas esferas pública e privada, incluindo tráfico, exploração sexual, violência obstétrica e assédio.

Enquanto houver uma mulher vítima de violência, não vai ficar tudo bem!

 

Plataforma Já Marchavas, Manifesto 25 de Novembro